sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Das vantagens de ser bobo;

Acho que é justo que esse texto seja postado uma vez nesse blog, sabendo-se da característica abobalhada das autoras, e do amor que ambas sentem por Clarice.

"O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado
por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando”.
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de
sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer.
Resultado: não funciona.
Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo.
Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.
Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás,
não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro,
com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem
por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo."


(Clarice Lispector)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tu Quaresma, és um visionário...

Dica de livro da semana


Lima barreto, escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro, escreveu entre suas principais obras "Triste Fim de Policarpo Quaresma". Um romance que conta a história de um anti-herói brasileiro, visionário e nacionalista.
Felismente tive a oportunidade de lê-lo essa semana - obrigada a você que me emprestou o livro , gostei muito - e fiquei muito imprecionada com os personagens, com a história e com desfecho dela. Realmente Lima Barreto vai entrar pra minha lista de autores a ser explorado.
Além de Quaresma, personagem principal, com caracteristicas visionárias, quase utópicas e tão peculiares, um outro personagem também me encantou muito, Ricardo Coração dos Outros, um tocador de violão, cantador e compositor de modinhas, esse é uma figura igualmente simpática, igualmente sonhadora e com uma personalidade aventureira/musical( se é que se pode definilo assim).
Analize melhor você os personagens. Recomendo a boa leitura desse clássico brasileiro e pra você que não tem um amigo bacana pra emprestar/trocar livros legais, assim como eu, encotrei um link com alguns capítulos do livro.

http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/LimaBarreto/LimaBarreto.htm


Deixo um trecho da descrição que o autor faz sobre Policarpo Quaresma.
"Desisteressado de dinheiro, de glória e posição, vivendo numa reserva de sonho, adquirira a candura e a pureza d'alma que vão habitar esses homens de uma idéia fixa, os grandes estudiosos, os sábios e os inventores, gente que fica mais terna, mais ingênua, mais inocente que as donzelas das poesias de outras épocas. É raro encontrar homens assim, mas há e, quando os encontra, mesmo tocados de um grão de loucura, a gente sente mais simpatia pela nossa espécie, mas orgulho de ser homem e mais esperança na felicidade da raça."

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Deu a Louca na Chapeuzinho

Eu sempre achei muito chato aquelas historinhas com finais felizes, vivia me perguntando o que raios acontecia depois do "e foram felizes para sempre". Outro dia li um texto muito massa de Millôr Fernandes, que conta de uma forma bem mais real a história de chapeuzinho vermelho.


"Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.). Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde". Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó. Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranóica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau."



Um toque de realidade no mundo da fantasia faz um bem danado.


Rapunzel



Branca de Neve

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ALICE IN THE WONDERLAND!!!!!!


"A vida de Tim Burton se parece com o roteiro de um de seus filmes. A começar por seu tipo físico: só se veste de preto, tem os cabelos desgrenhados e um olhar tristonho. O filme Tim Burton por Tim Burton poderia começar quando, aos 12 anos, fugiu da casa dos pais para viver com a avó. Passou a maior parte da infância enfurnado dentro de casa fazendo desenhos e vendo filmes de Vincent Price, que mais tarde se tornaria seu ídolo e ator de um de seus filmes (Edward Mãos-de-Tesoura). Quando adolescente ganhou um prêmio da companhia de coleta de lixo por desenhar um cartaz para a empresa."

(ver post original no link: http://www.cineweb.com.br/index_textos.php?id_texto=471)

Enfim, para a alegria de todos e felicidade geral da nação, essa criatura é louca de carteirinha!
E, para minha alegria, esse cineasta incrível, que eu dou mó valor, e tal e tal.... foi o responsável pela criação do novo filme de Alície no País da Maravilhas, na verdade, o primeiro filme rodado será esse, já que o primeiro foi apenas uma animação (que por sinal também adoro).

O clássico conto de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas contará com a interpretação do GATO e excelente ator Jonny Depp num papel que eu adoro, o chapeleiro louco.

Sem contar, que só pelas imagens que tão rolando aí pela net já dá pra notar que a fotografia, figurino e tudo mais, vai ser lindo de morrer... saca só

AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH MUITO LIIINDOOOO, DOOOOOOOOOOIDOOOOOOOO!!!
O filme vai estrear ano que vem, e eu já tou ansiosa... ansiosa, ansiosa e ansiosa pra ver!
Se eu fosse você tb num perdiam não! :DDD